Jovens e a Inovação Tecnológica

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Jovens e a Inovação Tecnológica

A atual geração de jovens (com menos que 30 anos) está muito ligada às inovações e à tecnologia. Não se permite imaginar a permanência do jovem no meio rural sem a presença do mundo digital, suas conexões e resultados. Por isso, quando tratamos de inovações voltadas para agricultura familiar, não pensamos só na melhoria da produtividade, mas sim na manutenção do agronegócio catarinense.

O êxodo rural de jovens é um grande problema na manutenção do modelo agropecuário, um dos responsáveis pelo desenvolvimento do setor em Santa Catarina. A saída dos jovens da área rural está ligada a diversos fatores como a penosidade do trabalho, pouca autonomia, falta de perspectivas, renda, autoestima, dificuldade no acesso à informação e ao conhecimento, entre outras.

Entre os números apresentados pelo Censo Agropecuário, chama a atenção a diminuição das pessoas ocupadas no campo e o baixo número de estabelecimentos dirigido por pessoas com menos de 30 anos.

Censo agropecuário de Santa Catarina

Dados estruturais

Censos

1975

1980 1985 1995-1996 2006 2017 (1)

Pessoal ocupado

858 734 836 755 887 287 718 694 571 522

497 823

Fonte: IBGE, Censos Agropecuários 1975/2017.

 

Número de estabelecimentos agropecuários dirigido, por sexo e  idade do produtor em Santa Catarina
Sexo – homem

162.580,00

Sexo – mulher

18.757,00

Idade – menor que 30 anos

6.986,00

Fonte: IBGE – Censo Agropecuário 2017.

 

O que motiva a saída dos jovens

Quando perguntados sobre o porquê da não permanência dos jovens nas atividades rurais, alguns fatores são mais lembrados que outros. Para as mulheres, por exemplo, um dos maiores problemas da vida no campo é a penosidade do trabalho, sem contar a renda deficiente e a falta de perspectivas de melhoras.

Quando falamos em renda deficiente, apesar dos avanços identificados na área, ainda há um significativo contingente de negócios no meio rural que necessitam melhorar a produtividade. Atualmente os principais desafios para o setor são:

  • Baixa capacidade gerencial dos empreendedores na condução de seus negócios, especialmente frente a um mercado consumidor cada vez mais exigente e uma sociedade cada vez mais “reguladora”;
  • Produtos e serviços pouco diferenciados. Existem produtos e serviços ofertados ao mercado com base no apelo “colonial”, “artesanal”, “caseiro” e que nem sempre são produzidos por estabelecimentos com esse perfil;
  • Embalagens inadequadas e com identidade visual que acabam por desqualificar um bom produto e dificultar sua consolidação no mercado;
  • Empreendimentos sem legalização por falta de adequação das unidades de produção;
  • Pouca oferta de novas oportunidades rentáveis de ocupação de mão-de-obra no meio rural;
  • Problemas de oferta de matéria prima com a qualidade exigida pelo mercado
  • Dependência de cadeias produtivas tradicionais, existindo a necessidade de desenvolvimento para novas alternativas de produção e mercado;
  • Deficiência na identificação e na disponibilização de novas tecnologias para atividades produtivas na agricultura familiar. Incluindo os processos de classificação, beneficiamento e transformação de produtos agropecuários, além do desenvolvimento da agricultura orgânica;
  • Faltam tecnologias que aumentem o rendimento do trabalho, diminuam o esforço físico e a penosidade do trabalho;
  • Deficiências de comunicação e informatização no meio rural, dificultando a modernização do setor.

 

Qual o papel da inovação tecnológica?

O desafio de viabilizar o meio rural de Santa Catarina passa obrigatoriamente pela necessidade de tornar a agricultura familiar competitiva, pois ela representa uma parcela significativa das propriedades rurais (em torno de 86%). A inovação tecnológica no campo, mais especificamente para o pequeno agricultor familiar, deverá ser incentivada, pois o novo jovem necessita e exige que isso seja realizado. Sob pena de perdermos essa geração para os centros urbanos e, com isso, a oportunidade de termos a continuidade de um modelo agrícola exitoso.

Novas áreas do conhecimento estão sendo exigidas para compor o processo de inovação no meio rural. Começam a surgir demandas em mecatrônica, engenharia naval, programadores, designers gráficos, engenharia elétrica e eletrônica, entre muitas outras ainda nem pensadas.

Santa Catarina iniciou um movimento interessante nesse sentido. O Núcleo de Inovação Tecnológica Para a Agricultura Familiar (NITA) busca aproximar as startups e as micro e pequenas empresas desenvolvedoras de tecnologias aos problemas do meio rural, em especial dos pequenos produtores rurais.

O NITA congrega várias instituições público/privadas que trabalham para construir essas conexões. O Núcleo possui um portal onde são cadastradas as demandas dos agricultores e as tecnologias já existentes, além de realizar missões técnicas, levantamentos de problemas e provocações na busca de soluções tecnológicas.

Nesse sentido, há necessidade de criar infraestrutura adequada ao movimento tecnológico de inovação para o meio rural. São iniciativas como essa que trarão vantagens competitivas ao agronegócio catarinense e ajudarão a diminuir o êxodo rural.

 

André Ricardo Poletto – Engenheiro Agrônomo, Secretaria de Estado da Agricultura e Pesca

 

 

 

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2018-09-03T18:04:16+00:00 05 setembro, 2018|

Comentários

Um Comentário

  1. Ditmar setembro 5, 2018 em 4:54 pm- Responder

    Um tema realmente que é desafiador!

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